quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Novo dia

Pela primeira vez em anos vi teu olho brilhar
Te vi sonhar
Vi o adolescente que ainda temes ser
Vi o frescor do novo amor chegar
Fico feliz que esteja acontecendo
Lamento apenas não ter sido eu a isto lhe despertar

Rotina

Na sua fome
Na sua sede
No seu enjôo
No seu desejo
Na sua dor
No seu medo
No seu rubor
No seu riso
No seu pranto
No seu recitar e no seu canto
eu estava lá

Viver tem sido isto
Ser presente
Afetivamente estar quando o sujeito do amor precisa ter alguém para o ladear
Na longa caminha
Num eventual encontro
[e inevitável despedida
Ou quando você deseja olhar o mar...

E mesmo quando eu vou embora
mesmo quando o ônibus dobra a esquina
e nossos olhares mais uma vez não podem se achar
eu ainda estou lá.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Amor

Sei de cada boca que beijaste,
projeto que deixaste,
paixão que enterraste,
amor que guardaste e
trabalho que executas.
Dizes-me, sem medo
[ou subterfúgio
de cada corpo sobre o qual você esteve ou deseja ainda estar,
cada aventura vã em que mergulhaste,
e o quão afável, cruel ou lascivo podes ser.

[Ocupamos os lados opostos do polígono que dividimos]

Sondas meus desejos, caminhos, histórias e medos.
Equilibra-se em minha áspera suavidade,
Me cobres quando durmo,
Dá-me conselhos que jamais seguiria,
Permanece ao meu lado nas noites em que a insônia me quer companheira
Enxuga as lágrimas derramadas por outros, nestes sóis e noutras luas.
Falas disparates pra me ver sorrir
Fazes compania, café e cafuné, quando você quer ou quando peço.
Seus olhos me despem quando estou em vestido ou pijama, eu sinto.

[Estamos em paralelas,
mesma direção,
sentidos opostos
mãos dadas e
olhos nos olhos]

Os nós são muitos:
As caras
Os caras
Os vícios
As cores
Os dentes
Os gostos
As contas
Os pontos
Os desejos
As canções
Os trejeitos
Os signos
As pedras
Os santos
Os cantos
As línguas
Os destinos
O Quereres.

Mas nos respeitamos e divertimos sem medida
Compartilhamos pretéritos e agoras
E se planejamos algum futuro não é pra muito depois
Falamos sobre tudo ou nos olhamos
e está dito
E tenho alguns segredos, você sabe
Pedimos desculpas e carinhos com silêncios
Compramos pães e brigas com a mesma facilidade
Tomamos vinho e consciência em tardes mornas
Não pulamos as ondas, escutamo-las, sentados diante delas
e quando de pé elas vem até nós, lamber-nos as pernas

Rimos de nossa frágil condição,
[a tão temida, e sabida, vulnerabilidade
E ainda, da relação que realmente temos
e da relação que outros nos dão.

E o lugar é diametralmente tormentoso
Ocupo um
Quero outro

Eu te amo
apesar de tudo que sei, vi, vivi e suponho sobre ti.
Talvez, exatamente por tudo, te ame.

Mas te amo desde sempre
Desde muito antes
Desde o primeiro instante...

E sabes que te amo
Digo sempre que posso
[por vezes dizer ‘idem’ basta.

Sei que ocupamos os lados opostos do polígono que dividimos,
Estamos em paralelas, mesma direção, sentidos opostos, mãos dadas e olhos nos olhos.
E o lugar é diametralmente tormentoso
Ocupo um
Quero outro

É apenas a constatação do óbvio:
Não estás para mim como estou pra você
e sabemos que... nunca poderei estar.
Busco aquilo do que foges
E corres do que desejo encontrar.

E eu?
O que eu faço com isto agora?
Faço poesia, ora bolas!


18 de janeiro de 2012


Publicado porque Lucy Castro disse que 'ele' tinha que ler e
Anderson Dy Souza falou que tinha que estar num blog - que seja no meu então.
E nos mais a mais, porque é uma verdade, ora essa!

sábado, 31 de dezembro de 2011

Retro-perspectiva

A vida tem sido
noites em claro,
dias cinzas.
Tontura,
arrepios,
náusea,
vertigens,
frustração,
despedidas prematuras,
chegadas repentinas,
saudades imortais,
presenças lacunosas.
Quem me conhece sabe:
não sou dada a declarações de amor,
demonstrações públicas de afeto,
gestos ou palavras melosas -
acho excesso,
acho desnecessário.
Mas este ano pede que eu grite os amores,
que me exceda nos gestos,
que deixe claro o que vai em meu coração,
quem permanece nele.
Lucy Castro, Cissa Guimarães,
Vanessa Damásio, Rubem Braga,
Caio Carvalho, Vicente Aguiar,
Cecília Accioly, Juliana de Sá,
Maurício Lessa, Clarissa Nobre,
Elinaldo Nascimento, Edmundo Cezar,
Gilmario d'Souza, Ive Carvalho,
Ney Dos Santos, Evando César,
Jamile Tamandaré, Jel Negromont,
Juliana Ferrari, Maick Barreto,
Ricardo Albuquerque, Patrícia Oliveira,
Renata Cardoso, Will Silva, Rafa GC,
Raphael Veloso, Thiago Romero,
e alguns cujos nomes não estão aqui mas
as presenças estão/estarão sempre em mim,
onde quer que eu esteja.
Agradeço pelos momentos deste ano que se finda, dos anteriores,
os que achei bons, os que não gostei,
os que não tivemos,
os que repetimos again, again, again...
Em questão de horas trocaremos os calendários.
Talvez as mãos não estejam mais dadas,
talvez os abraços e os olhares não se encontrem mais,
talvez nos vejamos em breve numa praia, bar ou teatro, sabe-se lá.
Que o futuro tenha o gosto que nossos temperos possam dar.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A semana que passou foi linda;
um dos reencontros mais belos que já tive.
Terça o céu fechou,
quarta as palavras foram truncadas,
ríspidas, espinhos, alfinetes, arame farpado em pé nu.
... E hoje, depois de muito brigar comigo,
passar mal, ir pro hospital, pedir luz
e comprar alfazema, eu tentei conversar.
E não deu.
Falei pro chão, seus olhos não miravam em mim.
Agora é andar pra frente,
a vida não anda pra trás.
E eu espero que nossos caminhos se cruzem,
numa prova,
num café,
num cinema,
num mercado,
num canto qualquer.
Porque eu te amo
pra sempre
mesmo que você não queira
mesmo que você se vá pra outro planeta.
Espero que um dia você consiga
entender isso.
Não quero nada,
não espero nada.
Agora eu tô do outro lado da rua,
amanhã do outro lado da cidade.
Tomara que seu abraço não se furte do meu
até o outro lado da eternidade.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Dialética

Estamos sós, entre muitos.
Rodeiam-nos palavras
Risos
Gestos
Gritos.

Entre nós, silêncio.
Fitar...
Duplo,
Recíproco.
Meia dúzia de palavras
[que sabemos, não precisavam ser ditas.


Um dedo, mão, braço, enfim
Envolvidos um no outro
E neste abraço
Corações descompassados conversam
Sem meias palavras
Sem palavras quaisquer.
Comunicação perfeita.


E assim ficamos até sermos sós.
Até sermos nós.
Até sermos nó.
Até sermos um só.




Para o homem que me faz perder a fala – e as palavras.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Para um amor novo.

Então meu amor de que adianta gritar, se você não vai ouvir...
Preste atenção no minha respiração
Ouça o que você faz com meu coração
E entenda,
esse amor
esse poema
essa dor
essa falta que você faz
esse bem que que tenho à você
essa vontade de ti insaciável
essa delícia que é
te ter, te ser, te querer...